Hidden mim,
Preste atenção, o mundo é um moinho.
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos.
Vai reduzir as ilusões a pó.'
Inversão dos valores.
Penso, pulso, a mente funde, fondue.
Palavras são vãs, vãos, vazio, refúgio!
Niilismo talvez, seja o status mais próximo da certeza!
Olha que, gosto de mim, apesar de você!
'O poeta é um fingidor', a beleza nisso se perdeu.
E com ela me perdi tão bem que não me encontro mais!
Tudo é uma questão de espelho, e provavelmente do que nele é refletido!
Inversão de valores.
Me sinto agora um robô,
driblando a rotina na tentativa de me pronunciar, em vão, entre vãos, dentre vãos.
Fugindo do tempo que não pára, voa.
Ao mesmo tempo em que nada se sente, e tudo parece se fazer frustrar!
Voltei a fumar, eu realmente gosto!
Não gosto deste lugar, isso realmente me incomoda!
'A humanidade é desumana' - já dizia Renato Russo - e me parece irreversível!
E é engraçado como ultimamente ouvir à Legião faz com que me sinta leve, como imagino que se sintam os gatos depois de um agradável rastelo.
Só não é melhor porquê não posso gritar, e mesmo que pudesse não conseguiria.
As traças de meu humor ecocardiogrâmico me limitam em atitudes extravagantes.
E as reticências me consomem antes que eu consiga chegar ao final de qualquer coisa.
Reticências e balões de diálogo vazios, falta de concordância e excesso de consumo.
Me falta oxigênio, acho que virei bolor.
Por um instante tudo fez sentido, mas continuei sem me encontrar!
Referências fazem de mim um corpo menos intransigente nessa maquete natural, protótipo de existência.
Ainda sinto uma pontinha de rancor, inversamente proporcional às minhas tentativas de seguir em frente.
Aí entra Tiê, e canta:
' Quem garante, que o que você é, é o que o outro espera de você?
Distante, o que você me diz do que eu sinto, não sei por quê?
Quem garante, que seguindo adiante eu possa enfim viver?
Sem me comparar,
sem entristecer,
sem tentar mudar,
sem poder entender.
Não dá, eu vou ter que sair pra poder voltar.'
E eu sorrio por um momento, antes de ser arrebatada pelo pânico!
'Serei ainda, livre?'
É nesse momento que tudo vai ao chão.
Referências me abastecem, e no final não sei quem sou!
Tudo soa realmente como a cópia, da cópia, da cópia.
Desfigura na minha frente, derrete como só Salvador Dalí sabia.
Inversão do show de Truman, sou a pequena câmera que observa os papéis sendo encenados no curta metragem da vida, e sentindo vontade de ter escrito todas essas micro-histórias que acontecem de forma totalmente diferente, se coubesse a mim.Mas nada, no momento me cabe!
Nem mesmo eu!

