que sou
senão
um emaranhado
entre
tantos outros?
três Marias
formaram casa
e constelação
na face direita
do meu rosto.
seria
pra aliviar
o peso
do peito
que dói
do lado esquerdo?
respiro fundo e sinto
a arritmia
do café e da dor
de estar sendo
esquecida.
na contramão
do surto coletivo
e anestesiado
sangro potente.
em carne viva
e a seco.
lúcida
e aterrorizada.
mulheres seguram
minhas mãos
nesse parto
violento
de mim.
me conduzem pela travessia
nebulosa
da tempestade
anticiclonica
e anticlimática
na grande mancha vermelha.
e com o corpo
que habito
fechado
suturado
e selado
por noites
vultuosas
cheias de estrelas
e do silêncio
absoluto
dos sonhos
natimortos.