Oh, benção que é a vida.
eu reconheço o plantio das tuas sementes mistas
asseio e anseio a colheita
entusiasta y ansiosa.
Oh, tesão do meu querer desejante
face que tem nome, sobrenome,
endereço, óculos, pêlos,
lindos pés e mãos.
os olhos e as pestanas mais graciosas que observo a luz atravessar.
a constelação no trapézio
que me comove em adoração.
homem inacreditável que a vida cocriou comigo e com toda minha trajetória.
Oh, amor do meu coração.
alforriado da posse
compersão diariamente exercitada
maturidade adquirida na endorfina dopaminérgica que me acorda cheia de elétrons repostos todas as manhãs.
Oh, alimento da minha alma.
matéria que minhas mãos apalpam
mucosa que meus dentes mordiscam e minha língua excita
nudez imagética que enche meus pulmões de ar gliterizado e etéreo.
Oh deuso, louco y feiticeiro.
me deixa dividida entre responsabilidade e gozo.
me faz escolher gozar
me conduz ao desprender de mim.
me inspira e incentiva a ser melhor.
me lê e interpreta como um livro de cabeceira.
me acolhe e acompanha mais até do que eu mesma.
me dá a certeza diariamente de não te ter,
pra que eu continue consensualmente sendo tua.
eu te amo,
depois de muito pensar e elaborar.
Meu afeto é sólido, honesto, ponderado e...
eu hoje chorei de exaustão.
tem hora que a vida é demais!
às vezes no sentido de ser incrível,
em outras no sentido de ser pesada e insustentável.
cheiramos a florzinha,
apagamos a velinha.
começamos de novo.
confio no invisível
indivisível,
e intangível que é nós dois.