estou
de luto
de mim.
no fundo
quem morreu
fui eu.
estou
de luto
de mim.
no fundo
quem morreu
fui eu.
ouvindo a sub.versiva, me deu vontade dele. vontade de tocá-lo, de cheira-lo, de lambê-lo, de mordê-lo. vontade de arrepiá-lo tocando suas orelhas. vontade de beijar seus olhos. vontade de gemer e de suspirar diante dele. de olha-lo melancólica e apaixonada nos olhos enquanto o mamava. de arrepiar seu corpo, de mordiscar sua boca, carinhar sua barba e encher minhas mãos com seu cabelo. de massagear seu escroto, acariciar seu períneo. rebolar no seu mastro. das minhas pernas erguidas em seu trapézio. de deitar sobre seu peito. de verter seu leite. do seu leite me preenchendo em todas cavidades possíveis e imagináveis.
deu saudade. de vestir algo pra ele rasgar, pra ele tirar, pra ele deixar no meu corpo. deu saudade de ser recebida sempre cheia de beijos e abraços. de acreditar no afeto e me deixar afetar. saudade dele me pegar pelo cabelo, cheirar meu pescoço, me enforcar, estapear minha nádega direita, até marcar. das mãos quentes me apalpando. de nossos olhos se encontrando, profundamente. dele me lambendo até que eu tremesse. me excitando até que eu desaguasse. saudade de me comover de tesão nas suas mãos. do tempo parar enquanto conversávamos no sofá. da liberdade que tínhamos pra fazermos o que quiséssemos. do nosso gosto compartilhado e exercido pela nudez. ver a luz do monitor no quarto escuro iluminando suas pestanas e todo seu rosto. saudade de ver a fumaça do cigarro barato filtro vermelho saindo de sua boca. de vê-lo com a cabeça recostada na parede e seu coque alto, dourado, farto e enorme. saudade de vê-lo tirando os grampos das sacolas de papel pardo de entrega do Ifood e fazendo bolinhas com as notinhas pra jogar pra felina dele. saudade dos nossos corpos magneticamente atraídos fatídica mente diante da nossa presença. saudade da cama, do sofá, da felina e de todas as testemunhas de nossas brincadeiras seríssimas. saudade de tocar violão pra ele e ouvi-lo tocar pra mim. saudade de lermos um pro outro. saudade do desejo incontrolável que nos invadia e fazia pausar filmes e animações. saudade de quando dormíamos colados. das suas pernas me enlaçando. das suas mãos como escudo nos meus seios. de admirar seu trapézio constelado banhado pela primeira luz do dia quando ele se virava de costas pra mim. saudade de ver nossos corpos em espelhos, vidros e pixels. saudade de dirigir com a mão direita repousando sobre sua perna esquerda. saudade de ouvir sua voz. de quando me sentia única, preciosa e estimada. de me sentir cuidada e acolhida. de receber afeto em forma de reels. de receber atenção. saudade de quando ele me conquistava e parecia interessado. de quando ele saía pra se aventurar e voltava pra mim. saudade da crença de que poderíamos dar certo, da expectativa de futuro que parecia tão longeva e foi tão breve. saudade dos planos e dos desejos que tínhamos e ficaram rascunhados. da potência e inspiração que me fazia sentir. de quando achei que não existisse vida possível um sem o outro. saudade de confiar e de cofiar a vida junto com ele.
um ano se passou
e ainda não aprendi a dizer adeus.
ainda não consigo passar a chave nessa caixinha de memórias incandescentes, ternas e indecentes.
ainda não consigo estabelecer um fim
não acredito neste cadáver diante de mim
ainda acho que a qualquer momento ele vai acordar
me procurar
se declarar
me abraçar
e eu vou chorar
tudo que já chorei sozinha
diante dele
e os oceanos vão agradecer
(respiro fundo)
(e mais uma vez sozinha, sigo)
parêntese histórico, para a posteridade: pelo menos preventivamente, o inominável foi preso pela polícia federal hoje pela manhã.
e esse dia opaco, difícil de enfrentar e de admitir, ficou menos desesperançoso.
dia ensolarado.
céu azul.
uma playlist cubana tocando no celular.
fecho os olhos!
com a mão repousada na perna dele, o encaro séria e digo: abre o zíper, quero te sentir.
ele obedece.
imprudente, uma mão minha no volante, outra na braguilha dele, procurando sua pele sensível e macia.
seu falo em repouso, que exponho à luz majestosa do sol e acaricio, olhando pro trânsito enquanto ele me olha com um deleitoso espanto, em silêncio.
seu corpo fálico vai enrijecendo e crescendo e sua glande deságua comovente e abundante em minha mão direita.
preciso trocar a marcha do carro com a mão embebida de seu líquido seminal.
o faço, enquanto seu pau curioso se alonga pro alto como quem quer sair pelo mundo à procura de todas aventuras possíveis.
o fricciono devagar algumas vezes e o manipulo com firmeza.
o corpo que o carrega coloca a cabeça pra trás e geme.
"isso tá uma delícia!"
eu o solto, ele fica atônito por um segundo, o agarro denovo.
fricciono ainda mais, sua pele estica e lateja.
cuspo em sua glande desviando do trânsito e olhando fundo em seus olhos.
minha saliva cai em câmera lenta, e ele me diz: "abocanha. quero sentir toda umidade da sua boca nele. tô com tanto tesão que acho que gozo só de você encostar."
minha mão estrangula seu corpo fálico e o espreme em toda sua extensão, sentindo no percurso todas as texturas, veias, regularidades e irregularidades.
"isso dói, e é muito gostoso. me dá mais."
seu pau incha e enrijece ainda mais.
olhando em seus olhos, vou alternando o ritmo entre frenético e moderado mas com rigidez.
ele está a ponto de se desfazer inteiro, acelero o ritmo.
fecho os olhos.
o semáforo abre.
estou sozinha.
toca uma playlist cubana no meu celular.
o céu está azul e o dia está lindo.
e cheia de tesão, encharco o banco do meu uno recém lavado.
li em algum lugar
de um autor desconhecido
que amar
é amar duas vezes.
o primeiro amor
é aquele leve
gostoso
idealizado
e de certa forma
realizado.
o segundo
ama com tudo que há
e tudo que tem além
eu o amei
desde o primeiro dia
não somente uma,
nem duas,
nem três vezes
mas inúmeras,
incontáveis.
o único ele
que não amo
é o que não me ama de volta
porque embora não pareça
e por mais difícil que seja
não consigo amar alguém
mais do que a mim mesma.
e não me amar
amando um outro
é o único,
dentre todos os bilhões de motivos que existem no mundo,
que pode me separar
de alguém
pra me devolver pra mim.
quando é que você vai perceber e ficar em paz com o fato de que também é perda pra alguém?
na sessão de hortifruti do mercado,
descascando alho sob uma luz cremosa.
levando quinze minutos pra escolher seis cebolas,
porque na presença dele o tempo congela, desacelera.
pisco pra ele
enquanto coloco as cebolas na sacola reciclável e ele me diz, encantado e encabulado:
"você é muito flertante, af".
e eu o afago e dou um beijo de esquimó cheio de ternura e de brilho nos olhos.
qual é a diferença entre potencial, expectativa e projeção? potencial, foi tudo que vi como possibilidade de se tornar. expectativa, o combu...