enquanto James Blake canta "retrograde"
meus olhos vão transbordando de água salgada,
inundando todo meu pavimento ocular.
a visão fica turva e densa,
até que as lágrimas roliças rompam com as barragens
e desague pelos meus poros.
"estou só.
sempre estive,
sempre estarei!"
essa constatação, dói!
não importa se me falta ar
com tanta gente no mesmo ambiente.
não importa quantos corpos repousem
à minha direita ou esquerda.
não importa o quão disposta
e pronta eu esteja.
não importa?
enquanto hiberno
no hemisfério
obscuro de mim,
reflito:
se o que está por vir
é muito melhor do que o que passou,
desejo que não demore muito
pra acontecer e pra chegar.
porque o que passou recentemente,
foi muito muito bom!
como bem canta Lulu:
"a vida vem em ondas como o mar,
num indo e vindo infinito."
aprendo e me empenho
em experimentar e honrar os ciclos.
a me entregar
com e sem medo,
dependendo da ocasião.
eu saio melhor de toda essa jornada
do que entrei.
mais consciente das minhas limitações,
amistosa com minhas ações
e convicta das minhas escolhas,
acertadas ou não.
mais disposta
a estar comigo
e com quem mais quiser.
melhor resolvida
com o tempo
de gozar
e de doer.
ainda que não equalizada
entre essas duas polaridades.
só sofrer,
exclusivamente sofrer,
já deixou de ser opção.