domingo, 11 de janeiro de 2009

Para uma ex-amiga!




Mudamos as roupas,
os enfeites, os trejeitos, os amigos, os amores, as estações, os cortes de cabelo.
O
s hábitos alimentares; os hábitos sociais; o gosto; o hábito em si; o foco das questões internas; o trato da beleza externa.
Mudamos, mas permanecemos;
nos preocupando, procurando saber o que está certo comemorar.
Procurando saber o que está errado
e consertar.
Remendando os cortes,
curando as feridas, tirando o cabresto e seguindo em frente.
Ampliando horizontes, enchergando além do que está óbvio, ou distorcido por mundos particulares e hábitos próprios do pensar.
Indivíduo, não-coletivizado!

Hoje em dia, não desejo mais saber o porquê de tudo,
embora ainda questione sem titubear muitas coisas.
Mas além das questões, propriamente ditas,
existe, para mim, o sentimento de que a vida vale a pena, o rancor é desprezável e a felicidade está nas pequenas coisas bonitas e a superação nas grandes coisas feias.

Todos esses mundos particulares, dizendo coisas nas quais você acredita,
quando na verdade deveria acreditar em si mesmo.
Nossos próprios olhos procurando nos ludibriar para testar até onde somos, até que ponto confiamos e nos garantimos perante a tudo.

E você sucumbe, deixa toda aquela força rude de lado, e sucumbe.

E eu me preocupo, de mãos atadas e boca calada, porque não posso fazer nada além de observar a destruição que consente dia após dia, sensatamente, premeditadamente?

[não sei]


Sei apenas que sinto muito!

Sei apenas que me importo demais.

Assim como sei [embora rodeada de dúvidas] que pra ela nada disso faça sentido.


[Todos esses mundos particulares, dizendo coisas nas quais você acredita, quando na verdade deveria acreditar em si mesmo.]


Será que algum dia, em si mesma, ela acreditou?

primeiro de outubro, 2026

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