tem dia que é foda
natureza morta
cólica retórica
retroevolução
em posição fetal
portas batendo
falha marcenária
em desespero
corro pros sites de emprego
da cama
sem esperança
bico da boca grande
bico do seio flácido
útero espremido
atraído pelo solo
sola, siempre estoy.
a lua no armário
aguardando para ser plantada
o sabonete na cura
aguardando pra ser usado
eu na cama vermelha e sangrando
aguardando quem não vai chegar.
chorando
surtando
e seguindo a canção.
esse bolero triste
esse tango solo
sextou sem mimo
grito deglutido
boletos intermináveis
dinheiro que só vai.
e essa independência que nunca chega?
esse cheiro de cera amarela no piso verde
é tentativa - falha - de redenção?
veneno ácido picando a ponta da língua
silêncio comunicando a transferência que fala por PDF.
espinhas que brotam insistentes
nesse existir derrotado e intransigente.

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