eu universa
habitada com incontáveis vias lácteas
envolta em espuma
se promovendo afeto
se percebendo gente no toque da pele
e realinhando através da planta dos pés.
você que me lê,
sabe quem eu sou tanto quanto eu
ou até mais do que muitos que convivem comigo
você me olha, mas você me vê?
de olhos míopes e cerrados, tento te enxergar enquanto me escondo
atrás de plumas ou bolhas de sabão
atrás de um não sorriso ou do carão sempre acertado
atrás das tarjas nos olhos e boca e debaixo dos meus recortes que revelam tanto, mas escondem muito mais.
por entre frestas
peço socorro.
me atiro no mundo
feito isca em mar aberto
buscando fisgar atenção
pra isso sei que quero estar certa,
quero ter razão.
quero ter controle e ciência de mim.
não quero te ferir, como um anzol.
me contento em morrer pra te alimentar sendo peixe.
me revelar completa, além metáforas.
deixando de dar referências pra que você me entenda.
e talvez meu propósito se cumprisse se eu fosse essência a aromatizar seu ambiente, te abraçando sem tocar sua pele.
afagando sua memória e tirando um sorriso sem esforço.
te inspirando a evocar os mais belos e efêmeros desejos e vivências.
talvez eu só tenha nascido pra ser invisível.
ser essência não em alma, mas em aroma.
ser afeto sutil e não ser corpo.
ser memória e não ser presença.

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