as lágrimas que choro
são de um amor
que vale nada
que é infértil
estéril
e que constrói um muro
dentro de mim
pra que não caiba
alguém mais
ninguém mais
o meu amor
é desperdício
de água
de sal
de esmaltes
de perfumes
de batons
e lingeries
cheirando a naftalina
é um desperdício
de sonhos
de fotos provocativas
e de palavras não dirigidas
não digeridas
suspensas no ar
barradas pelo campo repelético
que se construiu
dele pra mim
e de mim pro mundo
o amor que vem de mim
não é meu
não me pertence
não me obedece
não se esquece
e não se quebra
depois de tanto cair
ou ser jogado
eu queria ter a sua força
sua resistência
sua resiliência
sua beleza
e sua inteireza
ain soph.
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