na ausência sofro de mim.
na presença devoro o mundo.
através eu compreendo tudo,
especialmente irrelevância
e ignorância.
rejeição quando criança,
abuso quando infância.
gostosa quando cresce,
inútil quando envelhece.
descontinuada,
obsoleta e descartada quando perde o jogo,
o prumo e a razão.
vai trabalhar, menina
você não nasceu pra revolução.
ou andar pelas ruas de mãos dadas,
armada de si.
cresce, garota.
que o sonho é piada falha
onde só você não ri.
não te ponha indefesa,
ninguém quer a tua cabeça.
de graça ou pagando,
desista do teu plano.
a felicidade virou miragem
menor que gota de oceano.
isca que não alimenta humano,
farsa que não sacia tanto.
e ninguém além de você,
tolera esse bendito desencanto.

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