quinta-feira, 4 de novembro de 2021

inópia


decifro-te e me devoro,

faminta da tua não presença.


antropofágica,

me rôo até os ossos.


histérica, 

clamo pelo teu nome três vezes.


você não vem,

tua dualidade me acessa e te distancia.


choro porque preciso desaguar,

preciso diminuir essa pressão nas paredes das minhas artérias.


me satisfaço, 

embora de estômago vazio e reclamante.


falho e impotente,

o fio que nos conecta perde densidade.


e tudo o que se mantém é esse gosto de ferro e de perda que me sobe pelo esôfago. 


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