decifro-te e me devoro,
faminta da tua não presença.
antropofágica,
me rôo até os ossos.
histérica,
clamo pelo teu nome três vezes.
você não vem,
tua dualidade me acessa e te distancia.
choro porque preciso desaguar,
preciso diminuir essa pressão nas paredes das minhas artérias.
me satisfaço,
embora de estômago vazio e reclamante.
falho e impotente,
o fio que nos conecta perde densidade.
e tudo o que se mantém é esse gosto de ferro e de perda que me sobe pelo esôfago.
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