a diferença
entre
veneno
e
remédio
é a dose.
isso não é novidade,
mas é importante mantrar.
da vida,
só quero desfrutar
das escolhas
dentro das possibilidades
que o agora me oferece.
não é nessa dimensão
que vou enraizar,
criar morada,
deixar herdeiros
ou legado.
acho que vim mais
pra bagunçar o sistema
aprender a ser sincera
e desatar os nós
das limitações
minhas e dos outros.
entendo
que essa hospedagem terrena
independente de meses ou séculos
é curta.
estou por aqui de passagem
nascendo
morrendo
e nascendo.
o tempo todo
me apresento
e me despeço
chego
e vou embora.
estou morrendo desde que nasci
às vezes
com o copo cheio de vida
às vezes
transbordando de desgosto.
a dualidade virou minha amiga
ela me segura pela mão
e juntas saltamos em queda livre
transitando rarefeitas
pelo que há acima
e abaixo.
não sinto por mim
sinto muito pra quem eu morro
e perde oportunidade
de existir
junto comigo.
sei que nesse plano
eu talvez não deixe muita coisa
e não vou levar nada
além do entendimento
de que no final
fui e fiz exatamente
tudo que sempre quis
e provavelmente
não exista
liberdade
ou riqueza maior.
esse privilégio é raro
e talvez até mais bonito
que minha beleza
de cometa
excêntrica e infantil.
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