em fim
estamos
não nos cabemos
mais
as imensidões
que antes inundavam
agora desune
geografica
e sutilmente
indisponíveis
ficamos
ausência presente
que me retalia
em incontáveis pedaços
ainda que Matilde Campilho
me conforte por não acreditar em fins
olha o que você fez!
com que eu goste de dançar
e cantar músicas inimaginavelmente comuns.
me descomplexou,
me deixou simples.
como pode?
e só me resta
criar narrativas
e cenários
improváveis
na minha cabeça
(chamo seu nome)
...
.
.
.
...
{demora,
.
.
.
mas me responde sim
.
.
.
ou responde oi
.
.
.
ou responde oi linda
.
.
.
e eu digo:
.
.
.
saudade, só}
será que essa saudade
é de agradar minha autodepreciação?
meu gozo mortífero?
meus monstros
e fantasmas?
não sei também
se essa saudade
é de querer agradar o outro
agradar você?
eu tô com saudade
aguda,
e já tem dias
que ela grita
e implode
e não sei
o que fazer com ela
não sei o que fazer
com essa minha
existência
beirando o zero absoluto
que plana no ar
e encaixa
em lugar nenhum
meus emojis são confusos, tensos e tristes.
minhas figurinhas são deprimentes.
sou um belo pacote
bem embrulhado
cheio de vazio
cheia de nada
tudo e tanto
pra ninguém
cavalo de tróia
convencional
colossal
você foi a maior mention da minha timeline esse ano.
foi o maior assunto que tive com todo mundo que pude
foi quem fez meu coração bater pro bem e pro mal
foi provavelmente o motivo de eu começar a tomar betabloqueadores
foi quem me trouxe paz no caos
e caos na paz
me fez mergulhar tão fundo aqui dentro
e descobrir grande parte
do que desde sempre tentei esconder
de mim e de todos
o que dói
e me atravessa dilacerante
é que não quero te esquecer
mas tenho que,
sem outras grandes possibilidades
sei que tenho que deixar ir,
mas ainda preciso
me agarrar
a todo
e qualquer
pedacinho
seu
qualquer
pequena fresta
todo mínimo detalhe
em que a sua vida
pulse
e meus olhos
alcancem
meus olhos te amam
o tremor do meu coração te ama
minhas mãos
e minha obsessão
sedentas
te desejam mais do que qualquer coisa
esse querer
é imponente
e penetrante
por ser irrealizável
não cumprido
impossibilitado
pela redoma
que nos aparta
talvez algum dia
tudo
dôa menos
e eu rasteje menos
te procurando
pra não te encontrar
você me encontrando
sem querer me ver
me diz
que tem saudade também
mas já não existe
cola,
ouro,
coisa maior
ou qualquer
que nos emende
vendada
você me conduziu
ao topo do universo
de lá me atirou
e lembrou
que sou irremediavelmente só
e quebrada.
com meus pedaços,
novamente
e fatidicamente
me refaço
já sem gosto
esgotada
e exausta
de suceder
no fracasso.
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