terça-feira, 10 de janeiro de 2023

de volta pro fim

em fim 

estamos 

não nos cabemos

mais


as imensidões 

que antes inundavam

agora desune


geografica 

e sutilmente

indisponíveis 

ficamos


ausência presente 

que me retalia 

em incontáveis pedaços

ainda que Matilde Campilho 

me conforte por não acreditar em fins 


olha o que você fez!

com que eu goste de dançar 

e cantar músicas inimaginavelmente comuns.

me descomplexou,

me deixou simples.

como pode?


e só me resta

criar narrativas

e cenários

improváveis

na minha cabeça


(chamo seu nome)

...

.

.

.

...

{demora, 

.

.

.

mas me responde sim

.

.

.

ou responde oi

.

.

.

ou responde oi linda

.

.

.

e eu digo:

.

.

.

saudade, só}


será que essa saudade

é de agradar minha autodepreciação?

meu gozo mortífero?

meus monstros

e fantasmas?


não sei também

se essa saudade

é de querer agradar o outro

agradar você?


eu tô com saudade

aguda,

e já tem dias

que ela grita

e implode


e não sei

o que fazer com ela

não sei o que fazer

com essa minha

existência 

beirando o zero absoluto

que plana no ar

e encaixa

em lugar nenhum


meus emojis são confusos, tensos e tristes.

minhas figurinhas são deprimentes.

sou um belo pacote 

bem embrulhado

cheio de vazio

cheia de nada

tudo e tanto

pra ninguém

cavalo de tróia

convencional 


colossal

você foi a maior mention da minha timeline esse ano.

foi o maior assunto que tive com todo mundo que pude

foi quem fez meu coração bater pro bem e pro mal

foi provavelmente o motivo de eu começar a tomar betabloqueadores

foi quem me trouxe paz no caos

e caos na paz

me fez mergulhar tão fundo aqui dentro

e descobrir grande parte 

do que desde sempre tentei esconder

 de mim e de todos


o que dói 

e me atravessa dilacerante

é que não quero te esquecer

mas tenho que,

sem outras grandes possibilidades


sei que tenho que deixar ir,

mas ainda preciso 

me agarrar

a todo 

e qualquer 

pedacinho

seu 

qualquer 

pequena fresta

todo mínimo detalhe

em que a sua vida

pulse

e meus olhos 

alcancem


meus olhos te amam

o tremor do meu coração te ama

minhas mãos

e minha obsessão

sedentas

te desejam mais do que qualquer coisa

esse querer 

é imponente

e penetrante

por ser irrealizável

não cumprido

impossibilitado

pela redoma

que nos aparta


talvez algum dia

tudo

dôa menos 

e eu rasteje menos

te procurando 

pra não te encontrar

você me encontrando

sem querer me ver


me diz

que tem saudade também

mas já não existe

cola,

ouro,

coisa maior

ou qualquer

que nos emende


vendada

você me conduziu

ao topo do universo

de lá me atirou

e lembrou

que sou irremediavelmente só

e quebrada.


com meus pedaços,

novamente

e fatidicamente

me refaço

já sem gosto

esgotada

e exausta

de suceder

no fracasso.

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