{ao corpo, agora estranho, confesso}
amaria ver-te de lingerie.
sodomizado
realizando fantasias
pra mim
em realidades fantásticas
metafísicas
improváveis e imprevisíveis
em lugares públicos,
ao ar livre,
em confessionários anônimos.
adoraria nossas anatomias fossilizadas,
ossadas porosa e perene
descobertas
nuas
vulneráveis
esqueléticas
entrelaçadas
{como dormíamos em nosso auge}
eternizadas em artes rupestres
noticiadas como grande marco da existência
por uma espécie além
daqui a zilhões de anos.
nossa figura tão linda e harmônica
imortalizada
em códigos de programação
e pixels infinitos
armazenados
em nuvens artificiais e intocáveis.
{ao ser a ainda se revelar e conhecer,
que atualmente me inspira sorrisos desarmados e inocentes}
que me atinge em outros lugares,
diferente do tesão,
da fantasia,
da beleza
e do erotismo
desse ser idealizado
e fetichizado
que ainda sequestra meu desejo e me afeta.
esse outro
me evoca conforto.
cuidado.
carinho.
acolhimento.
silêncio
contentamento
e paz.
{palpável e concreta, não idealizada}
um equilíbrio perfeito
em que sou a gangorra onde ambos,
fetiche e afeto
corpo e ser
o antes conhecido e o a ser revelado
se equilibram e brincam
um à minha esquerda
outro à minha direita.
sinto amor suficiente
e profundo respeito pelos dois.
só não sei se tenho tamanha sorte.
o que sei,
e posso afirmar com convicção,
é que tive a breve experiência de alguns,
na sua grande maioria,
bons à sua maneira,
seja pelo êxtase ou pela dor
que me ensinaram e mostraram
aos poucos e a poucos
como amar muito.
e pelo crime de amar demais,
e no exercício de meu livre arbítrio,
acusação e defesa.
sentencio-me
pela eternidade
do instante
e pela travessia
dessa
e demais realidades existentes
a fragmentar o amor
e dá-lo
a tudo que vive e que morre.
sendo assim,
única e exclusivamente assim
inteira.
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