posso voltar a frequentar a gianini da Vargas.
aos poucos, ele se torna um borrão.
uma lembrança inanimada.
um vazio apático.
dirijo pelas ruas com os olhos marejados.
nós não nos veremos novamente!
a casa que sustentou nossa breve história agora está vazia
escura
com as janelas entreabertas e
uma placa empoeirada de uma imobiliária anunciando que está para alugar.
a atmosfera sagrada em que vivemos, rimos alto, fumamos, tocamos um pro outro, lemos um pro outro, fomos felizes, dengosos, afetuosos e safados se perde nos incontáveis dias que se passaram.
as paredes brancas que testemunharam nosso entrosamento estão agora abandonadas à própria sorte.
o sol que entra pela janela do quarto na primeira hora da manhã não tem mais o trapézio constelado, nem seus cachos dourados pra iluminar.
a pequena sacada que nunca acessamos segue vazia e o pasto de frente que nunca nos testemunhou transando de pé na sacada, minha saia erguida, a mão dele na minha boca pra que não fosse escandalosa e não fizesse eco.
ele nunca mais descerá as escadas pulando pra relaxar o pau pra receber o delivery.
e eu nunca mais subirei aquelas escadas dando a ele a visão sinuosa e tentadora do meu corpo que hoje sequer se recorda da aura magnética de estar completamente apaixonada e entregue.
nossos corpos seguem vivos mas morremos um pro outro.
e hoje essa morte me doeu!
"dust in the wind...
all we are is dust in the wind..."
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