sábado, 22 de novembro de 2025

com meus botões

 

ouvindo a sub.versiva, me deu vontade dele. vontade de tocá-lo, de cheira-lo, de lambê-lo, de mordê-lo. vontade de arrepiá-lo tocando suas orelhas. vontade de beijar seus olhos. vontade de gemer e de suspirar diante dele. de olha-lo melancólica e apaixonada nos olhos enquanto o mamava. de arrepiar seu corpo, de mordiscar sua boca, carinhar sua barba e encher minhas mãos com seu cabelo. de massagear seu escroto, acariciar seu períneo. rebolar no seu mastro. das minhas pernas erguidas em seu trapézio. de deitar sobre seu peito. de verter seu leite. do seu leite me preenchendo em todas cavidades possíveis e imagináveis. 

deu saudade. de vestir algo pra ele rasgar, pra ele tirar, pra ele deixar no meu corpo. deu saudade de ser recebida sempre cheia de beijos e abraços. de acreditar no afeto e me deixar afetar. saudade dele me pegar pelo cabelo,  cheirar meu pescoço, me enforcar, estapear minha nádega direita, até marcar. das mãos quentes me apalpando. de nossos olhos se encontrando, profundamente. dele me lambendo até que eu tremesse. me excitando até que eu desaguasse. saudade de me comover de tesão nas suas mãos. do tempo parar enquanto conversávamos no sofá. da liberdade que tínhamos pra fazermos o que quiséssemos. do nosso gosto compartilhado e exercido pela nudez. ver a luz do monitor no quarto escuro iluminando suas pestanas e todo seu rosto. saudade de ver a fumaça do cigarro barato filtro vermelho saindo de sua boca. de vê-lo com a cabeça recostada na parede e seu coque alto, dourado, farto e enorme. saudade de vê-lo tirando os grampos das sacolas de papel pardo de entrega do Ifood e fazendo bolinhas com as notinhas pra jogar pra felina dele. saudade dos nossos corpos magneticamente atraídos fatídica mente diante da nossa presença. saudade da cama, do sofá, da felina e de todas as testemunhas de nossas brincadeiras seríssimas. saudade de tocar violão pra ele e ouvi-lo tocar pra mim. saudade de lermos um pro outro. saudade do desejo incontrolável que nos invadia e fazia pausar filmes e animações. saudade de quando dormíamos colados. das suas pernas me enlaçando. das suas mãos como escudo nos meus seios. de admirar seu trapézio constelado  banhado pela primeira luz do dia quando ele se virava de costas pra mim. saudade de ver nossos corpos em espelhos, vidros e pixels. saudade de dirigir com a mão direita repousando sobre sua perna esquerda. saudade de ouvir sua voz. de quando me sentia única, preciosa e estimada. de me sentir cuidada e acolhida. de receber afeto em forma de reels. de receber atenção.  saudade de quando ele me conquistava e parecia interessado. de quando ele saía pra se aventurar e voltava pra mim. saudade da crença de que poderíamos dar certo, da expectativa de futuro que parecia tão longeva e foi tão breve. saudade dos planos e dos desejos que tínhamos e ficaram rascunhados. da potência e inspiração que me fazia sentir. de quando achei que não existisse vida possível um sem o outro. saudade de confiar e de cofiar a vida junto com ele.


um ano se passou

e ainda não aprendi a dizer adeus.

ainda não consigo passar a chave nessa caixinha de memórias incandescentes, ternas e indecentes.

ainda não consigo estabelecer um fim

não acredito neste cadáver diante de mim

ainda acho que a qualquer momento ele vai acordar

me procurar 

se declarar

me abraçar

e eu vou chorar 

tudo que já chorei sozinha

diante dele

e os oceanos vão agradecer

(respiro fundo)

(e mais uma vez sozinha, sigo)

parêntese histórico, para a posteridade: pelo menos preventivamente, o inominável foi preso pela polícia federal hoje pela manhã.

e esse dia opaco, difícil de enfrentar e de admitir, ficou menos desesperançoso.


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